terça-feira, 13 de abril de 2010

para sempre, pelo ralo.

Hoje vim cantar uma canção de horror
Com as piores vozes do mundo
Exorcizo agora, todo o rastro
Que me embrulha o estômago
Polui mente e sangue
Não suporto ler nem ver.








Un Fantasma Tra Noi - Lacuna Coil

sábado, 10 de abril de 2010

superfluous, common

Not sweet enough
Not thin enough
Not pretty enough
Not kind enough
Not quiet enough
Not clever enough
Not simple enough
Not short enough
Not graceful enough
Not atheist enough
Not absent enough
Not insensitive enough
Not superficial enough
Not different enough
Not special enough
Not hopeful enough
Not resigned enough
Not young enough
Not perfect enough
Only human enough to be me.





3 Libras - A Perfect Circle

quinta-feira, 8 de abril de 2010

mulher esqueleto

"Ficar deitado inerte, apenas sonhando com um amor perfeito, é fácil. É uma espécie de anestesia da qual talvez não nos recuperemos nunca, a não ser para agarrar impiedosamente algo de valor, apesar de estar além da nossa percepção. Para os ingênuos e os feridos, o milagre dos caminhos da psique está em que, mesmo que você não se empenhe muito, que você seja irreverente, que não tenha essa intenção, que realmente nem esperasse por isso, que não queira, que não se sinta digno, que não se sinta pronto, você irá topar, por acaso, com o tesouro. Depois, cabe à sua alma a tarefa de não ignorar o que veio à tona, de reconhecer o tesouro pelo que ele for, não importando o quanto sua apresentação for inusitada, e de refletir com cuidado a cerca do que fará em seguida."

(maravilhosa clarissa)



Silent friend of many distances, feel
how your breath enlarges all of space.
Let your presence ring out like a bell
into the night. What feeds upon your face

grows mighty from the nourishment thus offered.
Move through transformation, out and in.
What is the deepest loss that you have suffered?
If drinking is bitter, change yourself to wine.

In this immeasurable darkness, be the power
that rounds your senses in their magic ring,
the sense of their mysterious encounter.

And if the earthly no longer knows your name,
whisper to the silent earth: I'm flowing.
To the flashing water say: I am.



R.M.R.





Take Away My Pain - Dream Theater

quarta-feira, 7 de abril de 2010

quem canta seus males espanta

A “beleza” vale-se de todos os nossos sentidos, e ainda assim, não é absoluta e nem completa.
John Locke observou que tudo o que sabemos sobre o mundo vem do que vemos, ouvimos, cheiramos, tocamos ou degustamos. Assumimos assim, que o mundo seja exatamente como o percebemos. Porém, diversas experiências em distorção sensorial mostram que não é verdade, e talvez as mais convincentes sejam as que envolvem a ilusão óptica – o que leva a crer também, que os olhos são, entre os sentidos, o que é mais facilmente confundido.
Wassily Kandinsky deixou-nos algumas considerações sobre a arte, o belo e o não-belo:
“Quero dizer que lhes acontece serem subitamente arrastados para longe das ‘novas feiúras’ e deixarem-se seduzir pelo charme de uma beleza mais ou menos convencional. Muitas vezes o ouvinte fica chocado (em relação à música, em especial à música nova, que vinha surgindo e alguns compositores que estavam sem dúvida muito à frente do seu tempo). Tem a impressão de ser projetado – como uma bola de tênis – por cima da rede que separa os dois parceiros: o partido do “Belo exterior” e o do “Belo interior”. (..)
“O ‘belo interior’ é aquele para o qual nos impele uma necessidade interior quando se renunciou às formas ‘convencionais’.
A beleza é para mim, incontestavelmente pessoal. Ela é algo que reverbera na origem dos sentimentos do observador, de forma a atingir a voz própria “Necessidade Interior”.
Quando Kandinsky fala das formas “convencionais”, refere-se ao academicismo, aos desejos de uma época, “regras” e tendências, que segundo ele (e eu concordo plenamente), “só nos desorientam e nos levam à incompreensão do que ela (a beleza) realmente é”.
Beleza é indefinível na forma de Lei. Muitas vezes, só haverá num experimento, uma amostra correta, e todas as outras serão exceções. Simplesmente – ou complexamente – não é generalizável.
Isso se aplica não apenas à criação e expressão pessoal, mas também na tomada de decisão se para si, algo é ou não belo. Os parâmetros desta decisão são internos e sagrados. Estes parâmetros são passíveis de mudanças. Ponto. Do ponto de vista da neurociência cognitiva, como diz Daniel J. Levitin sem seu livro “Uma Paixão Humana – O seu cérebro e a música”, nossos cérebros atualizam suas opiniões – sobretudo no que diz respeito à percepção dos estímulos visuais e auditivos – centenas de vezes por segundo, sem sequer nos darmos conta. Diz ainda, que lesões na área imediatamente atrás da testa podem originar alterações dramáticas de personalidade, roubando aspectos que nos são muito próprios.
Acho fascinante quando ele reafirma que a amídala é o centro emocional dos humanos. No decorrer do curso Antropomusica, li a respeito da laringe estar intimamente ligada ao pensar e ao ato criativo. Somando à afirmação de Kandinsky que “a música é por excelência ‘A Arte’ para exprimir a vida espiritual do artista”, penso que nós, humanos, não temos a mais vaga noção do poder de atuação do canto, em si, nos outros, no Universo inteiro.
Para mim, o que classificamos como “Belo” é, como no mito da caverna de Platão, apenas uma faceta do que é de fato em outro plano a Beleza em toda sua totalidade, em suas nuances, dimensões e demais aspectos imperceptíveis ao corpo físico. Assim como na observação fenomenológica de Goethe quando aplicada à música, que nos leva a crer que a música feita neste mundo – que passa pelo filtro humano que corresponde ao compositor – é na verdade uma espécie de “tema e variações”, um reflexo do que é na verdade a Música do Cosmos, que chega ao compositor através de “sonhos”, que o atingem diretamente na alma, sem depender dos sentidos do corpo físico.
O belo é tão importante para nós, por sermos intimamente ligados à natureza. Ele reverbera dentro de nós por vibrações simpáticas, e tem a ver com o que identifico com o meu desejo (que note, nem sempre está ligado à alegria, muitas vezes uma música ‘triste’ nos faz chorar, muitas vezes, de tão bela ela nos soa), e o que já é parte de mim. Assim como aquilo que frequentemente detesto no Outro, é também, aquilo que há de mais insuportável para mim, em mim mesmo.
O julgamento do belo envolve intuição, a reverberação interna com relação ao fenômeno observado. Tem a ver com comunicação. Já que o fenômeno simplesmente É, e independe de mim.
Neste julgamento, sofremos influência de fatores históricos, das tais “formas convencionais” acima mencionadas, da psique, e por exemplo, da ativação de neurônios ativados no ‘núcleo accumbens’ (parte de uma rede de estruturas envolvida nos sentimentos de prazer e recompensa).
Volto à Kandinsky: “Durante o período materialista, formou-se um homem incapaz de humildemente se colocar diante do fenômeno a ser observado. Este homem, jamais busca sentir a vida interior daquilo que observa, tão pouco permite que ela atue dentro de si. Ofuscado pelos meios exteriores, seu olhar interior não se inquieta com a vida que se manifesta com a ajuda desses meios. (...) Quando temos com alguém uma conversa interessante, procuramos penetrar nesse alguém, ficamos curiosos por sondar-lhe a alma, os pensamentos, os sentimentos. Na conversa, o processo ‘vibração> tímpano/olhos/nariz,etc (elementos físicos)> consciência (psique)> reação nervosa (fisiológico)...’ é secundário! O essencial é a comunicação de idéias e sentimentos”. O mesmo, na comunicação da música cantada e o ouvinte.
‘Onde’ as funções do cérebro coordenam suas diferentes regiões – fazendo-nos pensar, rir, chorar, tomar decisões – na verdade não nos interessa, a menos que o ‘onde’ fosse capaz de nos dar alguma pista do ‘como’ e ‘porquê’, que é o que busca a neurociência cognitiva.
Por tudo isso, discordo, de forma extremamente arrogante, de grandes filósofos que dizem que o Belo pode ser ensinado; que seja "o que é agradável à vista e ao ouvido"; que esteja nos olhos do observador.
Acredito, que, talvez, mais próximos estejam de poder estabelecer algum conceito ou classificação do ‘belo’ estejam aqueles que conseguem aproximar a física quântica e a espiritualidade.
Para mim, o que é belo, é o que eu sinto como belo, e é incontestável. Nessa hora, concordo com Platão, quando ele diz que “O Belo, é a Verdade”, e também com Kant, quando afirma que “o juízo de belo é anterior ao prazer”.




Navras - Don Davis

terça-feira, 6 de abril de 2010

pés sobre os cacos

O que se faz quando alguém adorável encanta, fascina, e depois de forma torturantemente gentil pede para não ser apreciada?
Quando há unilateralidade nos clamores?
Quando nada se sabe e tanto se quer?
Ser rosa, cantar, gritar (e ter que gritar baixinho) é muito difícil.
Acho que é assim que se aprende a ser casulo, e a sepultar sozinho um mundo inteiro.





Ruínas de Cartago - Several

cinza

Ontem, fiz quase tudo diferente do que planejei, mas escrevi bastante sobre uma questão complexa que me foi aberta. E cantei, ainda que eu mesma, não tivesse voz.
Andei na chuva, e chovendo eu mesma.
Rejeição, insegurança... onde fica o botão os que desliga?
E onde deposito todo o querer bem e atenção que ofereço, e os destinatários recusam tão friamente?
E a confiança que depositamos nos seres vivos, para onde escorre, quando quebra?
Ainda bem que nunca mais será Ontem novamente.
Quero e preciso tanto saber, sobre valor, sentimento, verdade... e onde eu tangencio tudo isso!
Pela rua, todavia, encontrei um itinerante, que no seu vaguear me olhou nos olhos e disse que, para ele, sou uma "geniozinha".
Nessa hora não me importei mais com meus pés molhados.



Grey Room - Damien Rice

segunda-feira, 5 de abril de 2010

cria atividade

Conheci um sujeito que dizia não gostar e nem crer em alquimia, sortilégio, adivinhações ou em poderes sobrenaturais. No entanto, este, foi sem dúvida alguma a pessoa que demonstrou bem diante dos meus olhos os mais extraordinários casos de ato (e desato) e conseqüência. Até então, jamais acreditei na possibilidade de alguém – neste mundo- ser capaz de perder duas vezes, a mesma coisa que nunca teve.

Ontem, conversei sobre isso com aquele peixe bem pequeno, mas muito perspicaz do meu convívio, e ele me explicou, que na verdade, tratava-se de um Ilusionista, facilmente confundido com Magos e Feiticeiros. Os ilusionistas, obviamente lidam com ilusões, e sem dúvida, iludem.

Há pessoas no mundo, que só querem entender as frases mais pontiagudas, contundentes, assertivas e até redundantes. O que surpreende, é que estas mesmas, muitas vezes, parecem não ter a capacidade de dar respostas a perguntas igualmente objetivas, e isso, também é ilusão.

Às vezes, no entanto, há ilusões que não vem de um profissional da área, e que são geradas pelo próprio expectador, que de tão pouco burro e pouco superficial, usa tamanha capacidade criativa, que acaba por crer no que imaginou, e imaginou simultaneamente ter visto ou ouvido (ou lido, que é as duas coisas ao mesmo tempo). Facilmente confundido também com o “bom entendedor” – a quem meia palavra basta.

Existe ainda, a picardia. Mas esta não estudei ainda, embora devesse ter pesquisado sobre a terça dela, para o bem da Harmonia. (Dois). Acabei priorizando o azul, desta vez.

A mim, embora facilmente iludível, meia não basta. Quis a palavra inteira.



You fool no one - Deep Purple